domingo, 29 de abril de 2012

O Ácido Linoléico realmente emagrece?

 Escutamos muitas informações a respeito do possível poder de emagrecimento do ácido linoléico conjugado (CLA), vamos esclarecer alguns pontos importantes.

      Como já falei no post sobre L-carnitina (O exterminador de gordura existe?) não existe comprovações científicas sobre os benefícios no emagrecimento com a suplementaçao da L-carnitina, a atividade física que apresentou um fator determinante nesse processo de perda de peso junto com um controle nos hábitos alimentares.

     O ácido linoléico conjugado (CLA), que representa um conjunto de isômeros do ácido linoléico (18:2 n-6), de tem sido considerado um potente agente anti-obesidade, pelas suas possíveis propriedades moduladoras no metabolismo lipídico (MOURÃO, 2005). Entretanto, seu efeito quanto à perda de peso ainda é controverso. O CLA é encontrado em maiores concentrações na gordura de ruminantes, como, por exemplo, carne de gado, laticínios, entre outros.

     Em estudos feitos em ratos e camundongos demonstraram a diminuição da gordura corporal em grande parte dos casos e um aumento na massa magra (vou disponibilizar os artigos ao final da postagem), mas não houve uma diminuição expressiva no peso corporal.
Uma tabela apresentada por MOURÃO (2005) mostra que não houveram respostas significativas com a suplementação com o CLA, ele fez um apanhado geral dos trabalhos que existiam a respeito para tentar entender melhor o mecanismo do ácido linoléico conjugado
.
      Ainda não existem comprovações científicas de que a suplementação com CLA reduza o peso corporal ou o índice de massa corporal em humanos, porém algum efeito relacionado à redução do tecido adiposo parece ocorrer com doses acima de 3g de CLA por dia, especialmente na região abdominal de homens
obesos, e no tecido muscular esquelético.

     É importante ressaltar ainda que alguns efeitos indesejáveis relacionados ao uso do CLA foram encontrados tanto em estudos com humanos quanto em animais, como aumento da resistência à insulina, aumento da glicose e insulina de jejum; elevação da peroxidação lipídica, redução da HDL-colesterol em indivíduos com síndrome metabólica (dislipidemia, hiper-tensão) tratados com o isômero 10-trans, 12-cis36.

     Podemos concluir que a atividade física e bons hábitos alimentares são a base para um emagrecimento saudável e garantido, sempre surgirão novas substâncias e medicamentos para o emagrecimento rápido, mas sempre desconfie, procure se informar o máximo possível, pois existem mitos efeitos colaterais que não são divulgados pela mídia, e o mais importante, cada corpo responde de uma maneira diferente a mesma substância, logo os resultados alcançados não serão os mesmos.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Referências:

ASSMANN, A.F.; MADALENO, J.M.; e colaboradodes. Ácido Linoléico conjugado afeta composição corporal, metabolismo e expressão gênica. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo v. 3, n. 15, p. 217-231, Maio/Junho, 2009. (DOWNLOAD)

CANEPPELE, M. Suplementação de acído linoeico conjugado como fator de redução do percentual de gordura em mulheres. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo v. 2, n. 12, p. 424-429, Novembro/Dezembro, 2008. (DOWNLOAD)

FALUBA, A.N.; ALVES, J.C.; e colaboradores. A suplementação de ácido linoleico conjugado (CLA) possui efeitos positivos  em obesos e não promove alteração na composição corporal em eutróficos praticantes de atividade física. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo.  v. 3. n. 17. p. 379-390. Set/Out. 2009. (DOWNLOAD)
 
LIMA, C.S., CAVALCANTE, T.D.G. Influência da suplementação de ácido linoléico conjugado (CLA) sobre a composição corporal de homens e mulheres. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo v. 2, n. 12, p. 414-423, Novembro/Dezembro, 2008. (DOWNLOAD)

MOURÃO, D.C.; MONTEIRO, J.B.R.; e colaboradores. Ácido linoléico conjugado e perda de peso.Rev. Nutr., Campinas, 18(3):391-399, maio/jun., 2005. (DOWNLOAD)

domingo, 22 de abril de 2012

Obesidade e Atividade Física

        

      A obesidade pode ser definida, de forma simplificada, como uma doença caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, sendo consequência de balanço energético positivo e que acarreta repercussões à saúde (World Health Organization, 2000) com perda importante não só na qualidade como na quantidade de vida (FONTAINE, 2003). As consequências do excesso de peso à saúde têm sido demonstradas em diversos trabalhos. A obesidade é fator de risco para hipertensão arterial, hipercolesterolemia, diabetes mellitus, doenças cardiovasculares e algumas formas de câncer. 
       Dois aspectos fundamentais relacionados ao balanço energético positivo são o aumento do consumo alimentar (aumento do fornecimento de energia) e a redução da atividade física.     Como já comentei anteriormente, um grande aliado da perda de peso é conseguir aumentar o metabolismo basal (MB), como ele está relacionado diretamente com a quantidade de massa magra que temos no corpo (mais informações na postagem: Como queimar gordura mais rápido?), temos que nos manter ativos para que esse aumento aconteça.
      É necessário que ocorra uma mudança em todo seu estilo de vida: comportamento alimentar, social, lazer e familiar. Todas estas esferas estão em interseção, justificando assim a importância de mudar todo o estilo de vida.
    A obesidade acarreta uma série de consequência em todas as esferas citadas anteriormente, como por exemplo, hipertensão, resistência a insulina, diabetes, dificuldade de deslocamento, problemas cardiovasculares, sobrecarga nas articulações, dores na coluna, isolamento social, baixa autoestima, entre outros. O primeiro passo para mudar esse quadro é o obeso (a) entender o que acontece com ele e o que pode acontecer, pois não é fácil mudar em uma sociedade que não fornece ferramentas necessárias para que essa mudança aconteça, a segregação e o preconceito andam juntos dificultando esse novo estilo de vida.

        Algumas sugestões para iniciar essa caminhada:

- Procure um médico para realizar um check-up (avaliação) para saber quais atividades mais indicadas a fazer.
- Procure o acompanhamento de um profissional de atividade física.
- Modifique seus hábitos alimentares: comer mais frutas e verduras, diminuir a ingestão de gordura e açúcar, se alimentar de 3 e 3 horas (em pequenas quantidades).
- Aumentar o gasto energético diário: substituir o elevador pelas escadas, exercitar pelo menos 30 minutos por dia (caminhada, bicicleta, musculação, esportes), diminuir o tempo no computador e televisão (sedentarismo).
- Escolha uma atividade que seja agradável, algum exercício que goste de fazer, você deve realizar algo que lhe seja prazeroso para que o resultado chegue de uma forma mais natural.

        Alguns benefícios da atividade física:

Aumento do gasto energético.
Melhora da composição corporal:
- Perda de gordura.
- Preservação da massa magra.
- Diminuição do depósito de gordura visceral.
Aumento na capacidade de mobilização e oxidação da gordura:
- Controle da ingestão alimentar.
- Redução do apetite a curto prazo.
- Redução da ingestão de gordura.
 Estimulação da resposta termogênica .
- Taxa Metabólica de Repouso.
- Termogênese induzida pela dieta.
 Mudança na morfologia do músculo e na capacidade bioquímica

 Aumento da sensibilidade à insulina.
Melhora no perfil de lipídos plasmáticos e lipoproteinas.
Diminuição da pressão sanguínea.
Melhora da condição física.
Efeitos psicológicos:
- Melhora da auto-estima.
- Auto-imagem.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Referências:
GIGANTE, Denise P., Prevalência de obesidade em adultos e seus fatores de risco. Rev. Saúde Pública, 31(3) : 236-46, 1997. (DOWNLOAD)
MENDONÇA, Cristina P., Aspectos das práticas alimentares e da atividade física como determinantes do crescimento do sobrepeso/obesidade no Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 20(3):698-709, mai-jun, 2004. (DOWNLOAD)

Sites: